Com a professora de Plástica fizemos umas caixinhas em cartolina. Cada um de nós ilustrou a gosto!
E, lá dentro, iam as tradicionais amêndoas e ovos de chocolate que a Professora Rosa ofereceu. Ummmm! Nham...nham! Que delícia!
Alunos 2º/3º anos
Educar é também partilhar, porque aprender está para além da escola. Dessa troca de experiências se cresce - passo a passo - rumo a uma educação completa e uma cidadania ativa.
Esta é mais uma das portas da escola, sempre aberta!



"Era uma vez um homem tão alto, tão alto, tão alto, que batia com a cabeça nas nuvens. Por isso ninguém sabia se ele usava chapéu.
Era uma vez uma mulher tão baixa, tão baixa, tão baixa, que usava os malmequeres como chapéu de sol.
O homem alto tinha um animal de estimação. Que seria? Uma girafa!
A mulher baixa também tinha o seu animal de estimação. Adivinham qual? Uma formiga!
O homem alto via-se aflito para arranjar um fato. Gastava cem metros de tecido. Além disso, nem todos os alfaiates gostavam de tirar medidas e de provar, pendurados no guindaste.
A mulher baixinha não tinha problemas para vestir bem por pouco dinheiro. Comprava roupas feitas nas lojas de bonecas.
O homem alto tinha de entrar de rastos no túnel onde dormia. Nunca teria dinheiro para comprar um arranha-céus onde coubesse, ao menos sentado.
A mulher baixinha tinha de usar um escadote para subir o único degrau do rés-do-chão em que morava.
O homem alto era um grande polícia sinaleiro. Mas só de aviões. A mulher baixinha era uma grande médica. Mas só tratava doenças dos pés.
Um dia, a mulher baixinha foi chamada para ver uns pés que pertenciam a um corpo que nunca mais acabava. O doente ficou espantado com aquela médica que mal chegava à altura de um sapato.Pediu-lhe licença para a erguer no ar.
Então,frente a frente, sorriram ao repararem que eram tão parecidos – tinham amboscabelos ruivos, olhos verdes, três sardas na ponta do nariz." Luísa Ducla Soares
Andava uma galinha a esgravatar na terra quando, de repente, pim!- Um pássaro lhe largou um inesperado presente no alto da cabeça. Que porcaria!
-Cocorocó! – Cacarejava ela, numa aflição.
- Caiu um bocado do céu em cima da minha cabecinha!
Abalou pelos campos fora, com medo que o resto do céu viesse por aí abaixo, aos trambolhões.
Encontrou um porco, debaixo de uma árvore, a comer bolotas.
- Ron, ron, ron! – Grunhiu ele, admirado.
- Porque foges tu, galinha?
- Caiu um bocado do céu em cima da minha cabecinha!
Temendo que o mesmo lhe sucedesse, o porco foi atrás dela.
Chegaram a um lago onde nadava um pato que, naturalmente, ficou espantado com aquela correria.
- Quá, quá, quá! Que aconteceu?
- Caiu um bocado do céu em cima da minha cabecinha! – Repetiu a galinha.
Para evitar semelhante desgraça, o pato saiu da água e juntou-se aos fugitivos.
Foram ter a uma rua onde estava um gato deitado ao sol. Este abriu um olho, espreguiçou-se e perguntou:
- Miau, miau, miau! Que aconteceu?
- Caiu um bocado do céu em cima da minha cabecinha! – Voltou a explicar a galinha.
O gato ficou com os pêlos todos em pé. Que horror! O melhor era escapar já dali com os outros três.
Pata aqui, pata acolá, acharam-se num campo onde pastava, despreocupado, um burro. Este, ao vê-los com tal pressa, ficou preocupado.
- Hihon, hihon, hihon! Que aconteceu?
- Caiu um bocado do céu em cima da minha cabecinha! – Disse a galinha.
O burro, ao olhar para cima, para as nuvens que se acastelavam, teve medo. Ai, se as nuvens e até o Sol tombavam em cima dele! De certeza que lhe amachucavam as grandes orelhas…
- Vou com vocês! – Resolveu, desatando a galopar.
Mas a galinha, o porco, o pato e o gato não conseguiam acompanhá-lo. Nenhum deles tinha jeito para atletismo.
- O melhor é saltarem todos para as minhas costas, ou não nos despachamos.
O gato deu logo um salto e instalou-se no pescoço do burro. A galinha e o pato bateram asas, tornaram a bater até que finalmente conseguiram voar até à garupa. O porco é que não arranjava maneira de subir. Foi preciso o burro deitar-se para aquele gorducho ser capaz de o montar.
Assim foram galgando montes e vales, atravessando campos e aldeias.
Passaram finalmente diante de uma quinta. De guarda estava um cão, que logo começou a ladrar.
- Ão, ão, ão! Que aconteceu?
- Caiu um bocado do céu em cima da minha cabecinha! – Contou, outra vez, a galinha.
Que perigo! O cão nas suas andanças, já tinha visto caírem maçãs das árvores, caírem bolas atiradas por miúdos, caírem perdizes em pleno voo, atingidas pelos tiros dos caçadores. Mas bocados do céu…
- Vamos esconder-nos debaixo da cama da minha dona. – Propôs ele.
- Aí estamos bem protegidos.
Assim fizeram. Como a cama era alta, enfiaram-se por baixo da colcha e adormeceram.
À meia-noite veio a velha senhora deitar-se. Ela bem queria dormir mas as pulgas do cão tanto lhe picavam que a desgraçada não tinha descanso. A coçar-se, às voltas, reviravoltas, acordou a bicharada.
Que grande barafunda! Na escuridão, todos se atropelavam, numa algazarra. Sempre teria caído o céu?
A galinha cacarejava,
O pato grasnava,
O porco roncava,
O gato miava,
O burro zurrava,
O cão ladrava,
A velha gritava:
- Que grande confusão,
Os bichos nascem do chão
Debaixo do meu colchão!
Luísa Ducla Soares – Contos para rir – Editora Civilização