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terça-feira, 29 de outubro de 2013

CONTO "A BRUXA"

CONTO DO MÊS DE OUTUBRO  

     

A BRUXA


A Bruna  tinha os cabelos eriçados, duas verrugas no nariz e aquela mania de se vestir de preto. Além disso andava sempre de vassoura na mão, com a mania das limpezas. 

- És  bruxa ! És  bruxa ! És bruxa ! – troçavam os miúdos.

Pois, se parecia, alguma coisa havia de ganhar com isso. No dia 30 de Outubro, dia das Bruxas, arranjou-se mesmo a rigor e apresentou-se no concurso para Miss Bruxa. Claro que ganhou o primeiro prémio.

Foi para casa e, como estava desempregada, surgiu-lhe uma ideia. Escreveu numa tábua carunchosa, a tinta roxa:

Bruxa premiada dá consultas.

Faz descontos especiais no Dia das Bruxas.

Ora por lá passou  um rapaz que andava muito apoquentado. Bateu à porta, que se abriu, rangendo, e tropeçou em sete gatos.

- O que o traz por cá ? – perguntou Bruna.

- É o mau cheiro que tenho nos pés. Quando me aproximo, as pessoas fogem a toda a velocidade… Já procurei médicos, curandeiros, engoli comprimidos, enfiei supositórios, besuntei-me com pomadas mas nada me cura… 

- Pois então descalce-se - disse a “ bruxa”, apertando o nariz com uma mola da roupa.

E que viu ela ? Uns pés tão sujos, tão cheios de chulé  como não devia haver outros no mundo.

- Já lhe trato da saúde!
Pôs três barras de sabão a derreter dentro dum caldeirão, juntou  sumo de limão, flores de alecrim e obrigou o rapaz mergulhar nessa mistela as patorras imundas durante três horas. Depois, com a vassoura, raspou tão bem toda a porcaria que de lá saíram uns delicados pezinhos  brancos, sobre os quais verteu sete jarros de água do poço.

- Agora tem de continuar o tratamento em casa, todos os dias. Basta lavar à torneira, com sabonete! E compre sapatos novos, que os velhos estão contaminados.

Tornou-se famosa. À sua porta alinhavam-se bichas intermináveis de clientes.

Com o dinheiro do prémio e das consultas, tirou um curso de magia pela internet. Comprou um velho castelo assombrado, setenta vampiros para o guardarem, setenta corujas para lhe fornecerem ovos, setenta osgas para lhe cuidarem do jardim. 

- É bruxa! É  bruxa! É bruxa! – diziam, cada vez mais convictos, os miúdos.

Mas acham que ela se ralava?  Ria-se, feliz, e oferecia-lhes logo caramelos de baba de sapo. Era remédio santo para eles darem corda aos sapatinhos.

 Luísa Ducla Soares


sábado, 15 de novembro de 2008

CORES QUE SE AMAM

No dia 14 de Novembro, sexta-feira, narrou-se uma história com discurso na primeira pessoa... cujo título "CORES QUE SE AMAM" é do escritor Paco Abril, Everest Editora 2005.

Estava eu calmamente a brincar no meu quarto quando, de repente, me assustei com os gritos que vinham da rua.
Depois barulhos de janelas a abrir e perguntas angustiadas: "- O que se passa?"; "-O que aconteceu?"
No meio do alvoroço, ouviam-se palavras que eu nunca tinha escutado antes. Soavam doridas, tristes, desconsoladas. Falavam sobre um disparo... E que havia uma mulher de cor deitada no chão.
De que cor seria?
Não sei porquê mas imaginei-a Verde.
Depois ouvi a minha avó a dizer baixinho:
- Baixem a voz, vão assustar o menino.
O menino sou eu.
Chamo-me Luca.
Tenho cinco anos.
No espelho vi que a minha pele é negra, igual à do meu pai. Mas a minha mãe tem pele branca.
Sou feito de duas cores diferentes que se amam.
Digo isto ao espelho que sorri para mim do outro lado. O espelho é meu amigo.
Lá em baixo, os gritos continuam. Tenho medo.
Porque é que o medo mau me vem visitar se eu não quero?
Uma coisa estranha aperta-me a garganta. Sinto vontade de chorar.
Antes que as lágrimas cheguem aos meus olhos, aparece a minha avó Dolores, como uma fada boa.
Pega-me ao colo, abraça-me e diz palavras mágicas que trazem alegria.
Eu rio-me.
O riso espanta o medo.
E ele sai a correr, assustado.


Este livro é dedicado a Lucrecia Pérez que voou para Espanha vinda da República Dominicana à procura de cores que se amassem, e morreu assassinada pelos bárbaros que querem impor-nos à força uma só cor, a cor do ódio.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A RAPOSA E AS UVAS

Caminhando pela noite, em direcção a um povoado, uma raposa lamentava-se da vida desgraçada que tinha.
Há dois dias que se deitava sem comer e as suas pernas já quase se vergavam ao seu peso.

Perto da povoação, viu um esquilo atrevido que troçou da sua fraqueza.
Ao amanhecer, chegou a uma quinta onde, cautelosamente, farejou por todos os cantos e esquinas à procura de uma capoeira.

Repentinamente, surgiu um tractor que lavrava aqueles terrenos. A raposa para não ser atropela
da, deu um grande salto, mas o resultado foi uma queda que a

dei
xou a coxear.

Lamentando-se da sua pouca sorte, voltou os olhos para o céu, e viu um apetitoso cacho de uvas.
Ficou a contemplar o cacho de uvas, pensando como lhe saberia bem.

Aos saltos, tentou agarrá-lo, mas por mais esforços que fizesse, não chegava às cobiçadas uvas.
Continuou o seu caminho e, para não demonstrar fraqueza, ia dizendo: - Estão verdes, nem os cães as podem comer.

Contos de Apoio à Leitura e à Escrita - Texto Editores

terça-feira, 8 de abril de 2008

Escritores pequeninos...a propósito do Livro infantil

Um grupinho de crianças mais velhas do Jardim de Infância, juntaram-se e inventaram uma história. O Livro podem vê-lo nas imagens de "slide show"...Gostavam de conhecer o enredo? Peçam aos autores para vos emprestar o livro!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O MEU AMIGO LÁPIS...

Há uma aluna no primeiro ano que, tem por hábito roer todos os lápis! Já foi alertada várias vezes para deixar de o fazer... Faz mal à saúde, nomeadamente, aos dentes e, os lápis ficam com mau aspecto...
Hoje, li para toda a turma um texto relacionado com as mordeduras de lápis.

O MEU AMIGO LÁPIS

Um dia, estava na sala, à hora do recreio e, ao pôr o lápis na boca, ouvi:
- Ai! Ai!
Tirei o lápis da boca devagarinho e ouvi outra vez:
- Obrigado por parares de me morder. - disse o lápis!
- Eu não sabia que os lápis falavam!
- Nós não falamos; só quando estamos fartos de nos roerem é que falamos.
- Eu quando te começo a roer, não é por mal, é por hábito.
- Mas se tu fosses lápis, não gostavas que te roessem. É que dói muito e até faz mal à tua saúde. Sabias? Agora, adeus.
- Adeus, porquê? - perguntei eu.
- Porque tens de acabar de fazer os trabalhos.
Nesse dia, aprendi uma lição: NUNCA MAIS ROER OS LÁPIS.

Autor: Daniel Teixeira Nobre
(A minha janela - Areal Editores)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

DIA DA BIBLIOTECA ESCOLAR

O dia internacional da biblioteca escolar é celebrado todos os anos na 4ª segunda-feira do mês de Outubro.
No dia comemorativo, 22 de Outubro, li a história " O Alfaiatezinho Valente" aos 22 alunos da turma. Eles adoraram ouvir a história e deliraram a ver as imagens. De seguida, recontaram-na oralmente e desenharam o personagem favorito...

Deixo-vos agora um texto de Maria Natália Miranda "O livro abandonado" que captou a minha atenção.

O LIVRO ABANDONADO

O livro estava caído à beira do caixote, atirado fora como coisa inútil.
-Tenho ainda tanto que dar. -dizia ele para si. - E aqui me vejo sem préstimo nenhum. Só por fora é que estou assim feio e desajeitado, mas por dentro ainda me sinto jovem. Tenho nas minhas folhas sonho e alegria e bem podia ainda fazer a felicidade de qualquer criança que me lesse.
E tanto me esforcei na vida. Tanta coisa fui, tantas transformações sofri...
Primeiro fui arvorezinha, nascida e criada nos montes, entre giestas, urzes, ninhos e pardais. Depois de alta e incorporada, chegou um serrador, cortou-me e levou-me para a fábrica, onde me vi transformada em papel. Da fábrica passei para uma tipografia. Aí as minhas folhas brancas foram impressas. Os escritores escreveram nas minhas páginas e os desenhadores ilustraram as minhas folhas. Depois de agrafado, cosido e colado, transformei-me neste livro, agora já sem graça.
E o livro, abandonado atrás do caixote, suspirou: - Ai de mim! Ai de mim!


Já de seguida, um outro texto da mesma autora.

NOVO, OUTRA VEZ

E enquanto o livro lamentava a sua triste sorte passou por ali um menino, um menino que nunca teve um livro de sonho. Só os de estudo. Olhou aquele livro de capas velhas, apanhou-o, desfolhou-o e levou-o para casa.
- Mãe - disse logo que chegou.- Tem aí um pedaço de pano bonito para eu forrar este livro?
- Vou ver.
A mãe deu-lhe uma tira de tecido vermelho.
O menino passou parte da tarde e parte da noite a colar as folhas e as capas do livro; depois do trabalho feito, recostou-se num banco e abriu-o com gosto.
E foi com ele através do tempo, ao encontro de Reis e rainhas, de fadas e gnomos, de estrelas e astronautas, de coisas e animais que falavam como gente.
E durante muito tempo, o livro foi o melhor amigo daquele menino que nunca tinha tido um livro de sonho.

Autora: Maria Natália Miranda
"Beija-flor" - Editorial o livro


Se não tiverem um livro de sonho, procurem-no numa biblioteca e transformem o sonho realidade, durante algumas horas...

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A SIMPLICIDADE

"Adoro tudo o que é simples, a linguagem, os gestos, os actos, por isso adoro as crianças, porque é delas que vem toda esta linguagem, todos estes gestos, puros, sem maldade!
Cabe aos adultos fazer com que mereçamos toda a sua confiança, que acreditem em nós para nunca se sentirem traídas, para crescerem com confiança, sentirem o nosso amor, ensiná-las a gostar de flores, porque as crianças e flores têm o mesmo odor. Fui criança carente, por isso sei do que falo.
A criança tem um coração imenso, que quando está feliz os seus olhos brilham! Cada um de nós tem o dever de fazer o que estiver ao seu alcance, para esse brilho ser forte e constante, porque estamos também a fazer bem para nós, porque essa felicidade é contagiante e, dentro de cada um de nós há uma criança! Dá amor, receberás amor!"

autor: João Gama "labirinto de espelhos"